Algodão gera emprego e renda para produtores familiares e artesãos em Água Branca

(Foto: Paulo Rios)
Ceiça e Eraldo apostaram na produção de algodão na variedade colorida

Os pequenos produtores familiares e artesãs do município de Água Branca perceberam no cultivo do algodão uma boa complementação de renda e, além da colheita, também já trabalham no beneficiamento do algodão feito em uma miniusina da comunidade e em duas variedades: o de cor branca e agora, da cor marrom.

Na comunidade Quixabeira, zona rural de Água Branca, eles conseguiram, além do algodão em sua cor normal (branca), também uma variedade colorida (marrom). Esse tipo de algodão é uma experiência nova, trazida de Campina Grande, e foi testada por três pequenos agricultores que fazem parte da Associação Rural dos Moradores de Quixabeira e Covões de Cima.

Como explica Conceição Campos, presidente da associação, apesar de ser uma experiência inovadora, a produção foi bem significativa, porém, não representou lucratividade para os produtores. “O algodão é de boa qualidade, mas infelizmente não há comércio suficiente como para a variedade de cor branca”.

O pequeno produtor Eraldo Campos, que pertence à Associação dos Moradores de Quixabeira desde 2004, foi um dos agricultores que apostou na plantação do algodão na variedade colorida. “Minha ideia era diversificar a variedade do algodão e tentar aumentar ainda mais a renda, mas estamos com dificuldade em comercializar essa variedade”, lamentou Eraldo.

Com 30 kg de sementes doados pelo governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), e com uma área de 1 hectare disponível, Eraldo Campos vai apostar tudo na safra 2011/2012 e pretende ter um rendimento a mais. “Nos próximos dias já vou iniciar o preparo do solo e plantar as sementes doadas pelo governo”, afirma Eraldo.

Ceiça Campos, presidente da Associação de Quixabeira, acredita que a presença do governo de Alagoas por meio de projetos de incentivos vai despertar o interesse dos pequenos agricultores no plantio do algodão. “As terras são propícias, o algodão colhido é de boa qualidade e temos mercado para vender”.

Para a presidente da Associação, o apoio do governo vai possibilitar um aumento da produção e geração de renda, além de favorecer a valorização do algodão. Para Ceiça Campos, os produtores seguramente terão um retorno garantido do produto.

Artesanato
A comunidade de Quixabeira dispõe uma unidade de beneficiamento e uma minitecelagem, onde os próprios moradores cuidam do beneficiamento, que consiste em fazer o descaroçamento, e já produzem mantas, redes e tapetes.
O projeto Tecelagem, da Associação Rural de Quixabeira e Covões de Cima, dispõe de máquinas de costura, tear de cadil e tear elétrico. “Nosso projeto tem como objetivo o desenvolvimento comunitário através da geração de trabalho e renda, dentre outros, apoiando a comunidade no fortalecimento do artesanato”, destaca a presidente da associação, Ceiça Campos.
Berenice Campos Lima, que há 27 anos trabalha como artesã, ainda vem dando continuidade a uma tradição familiar e produz suas peças na própria miniusina que é mantida pela Associação dos Moradores, num projeto que vem gerando renda para as famílias da comunidade. “Nosso trabalho é feito na própria comunidade e vendemos em feiras, lojas, eventos e exposições”, afirma Berenice.
A confecção de tecidos, feita pelas artesãs associadas na miniusina da Associação, conta com uma variedade, e a produção recebe novas formas e modelos com os equipamentos de corte e costura, aproveitando os fios do algodão. Entre as peças confeccionadas, estão tapetes, redes, capas, jogos para cozinha, cama e banheiro.
Ceiça Campos informa ainda que a estratégia da Associação de Quixabeira é multiplicar o número de costureiras através da própria identificação e valorização de mais profissionais.
Em fevereiro de 2011, o beneficiamento na comunidade de Quixabeira foi de duas toneladas de algodão, onde toda produção foi comercializada para a Fábrica Pedra de Fiação e Tecelagem. “Nossa perspectiva agora é que a safra 2011/2012 possa ser dobrada”, afirma Ceiça Campos.